Confesso que ri muito quando folheava uma revista destinada à Escola Dominical, editada por uma séria e conceituada editora evangélica. Seu autor, Pastor Elinaldo Renovato, muito sabiamente se referia aos novos costumes eclesiásticos surgidos principalmente em favor da Teologia da Prosperidade e da confissão positiva e dei de cara com esse nome de síndrome. Como todos sabem a síndrome não é doença, mas, um estado de funcionamento alterado onde várias alterações físicas e psicológicas surgem em decorrência dela. Seu aparecimento se nota em alterações para mais ou para menos, dependendo do caso. Certo é que, ela nunca deixa o corpo sem alguma seqüela e algumas, infelizmente, são irreversíveis.
O autor da lição compara os novos costumes a uma síndrome chamada de “do carro novo” lembrando o episódio de Uzá e da Arca, em 2º Samuel 6: 1-3. Os sacerdotes sabiam que a Arca deveria ser transportada em seus ombros, segura pelas varas, mas, a vontade de inovar e a falta de observação às prescrições dadas por Deus no tempo da peregrinação no deserto fizeram com que alguém que não era sacerdote pusesse as suas mãos nela, resultando assim em sua morte. Uma coisa trágica que poderia ser evitada se as prescrições divinas fossem observadas.
Quando paro para pensar nos “carros novos” que os cristãos têm construído para carregar as coisas sagradas que Deus tem ordenado à sua igreja, fico deveras preocupado. A graça de Deus, uma coisa tão simples de ser entendida, tem sido transformada em algo esotérico, somente conferida aos grandes iniciados. Rituais restauracionistas são incluídos nas liturgias das igrejas. Tocam shofar (aquele berrante de chifre de carneiro, só presta para fazer barulho), fazem festas judaicas, vivem falando “shalom” (existe uma palavra em português que transmite toda a plenitude dessa, que é em hebraico: paz. Simples, não é?). Vestem os thalit (xales de oração) As determinações e decretos tomam o lugar da vontade divina, o que vale é a confissão positiva. Os rituais passam a ter valor sacramental. Correntes de “tantos dias” para quebra de maldições hereditárias (crente tem isso?). As bandeiras de Israel estão nos altares, nos carros e o judeu é tido como um filho predileto de Deus, apesar de sua incredulidade e de estarem planejando a reconstrução do templo de Jerusalém. A graça é liberada aos dizimistas fiéis e os demais estão “roubando a Deus” e sendo amaldiçoados. Pastores se intitulam apóstolos e ficam em lideranças máximas de comunidades, contrariando as Escrituras Sagradas e o chamado Didaché, documento do século II que prevê que o apóstolo que aparecer nas igrejas e nelas permanecer mais de dois dias, deve ser reputado como falso.
A graça de Deus é algo que nos livra das maldições do pecado. Paulo fala o tempo todo em suas cartas sobre ela. Nada de misterioso ou ritualístico. Dogmático sim: a graça de Deus anula o pecado de uma vez por todas e fim de papo! Igreja que constrói carro novo para carregar algo que deve ser levado nos ombros está em franca rota de colisão com a Palavra. Os ministros que assim permitem causarão a morte de muitos Uzás. Quantos ainda terão de morrer até que a Arca seja devolvida aos ombros dos sacerdotes? A Palavra da salvação é do púlpito, não de rituais proscritos e louvores inconsistentes. Se a Bíblia deixar de ser lida, pregada em sua simplicidade e enfeitada com achismos e exterioridades perigaremos ter um Evangelho maculado e de cêpa humana. Não sou eu, mas, Paulo é quem diz:"Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema". (Gl 1,8).
Algumas pessoas me perguntam:”Pastor, o senhor não é um pouco radical com seus pontos de vista em relação às músicas, costumes e práticas das igrejas? Eu respondo que não. Sou bíblico e não admito que se inventem coisas para “dar uma ajudazinha” à Palavra Revelada que se basta a si própria. Não abro mão disto.
Que a Igreja assuma o seu papel de carregar nos ombros o Concerto de Deus com ela e que os “carros novos’, por mais bonitos que sejam, sejam banidos em nome de Jesus para que o verdadeiro Evangelho da Graça encontre o seu lugar devido.
Pastor Gilmar de Araújo Duarte, Ministro de Educação Cristã da Primeira Igreja Batista em Brás de Pina, Rio de Janeiro, RJ.
Arauto da Ortodoxia
Dedicado à defesa da fé protestante bíblica e autêntica e aos princípios da Reforma, respeitando a tradição litúrgica peculiar a cada comunidade dentro de sua realidade.
segunda-feira, 24 de março de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
O Movimento Gay e a Igreja Protestante Brasileira.
POSTULADO FILOSÓFICO:
O que fazer e qual a postura ética que devemos, como religiosos, tomar diante de um homossexual que diz ser cristão e insiste em fazer parte de uma membresía de uma igreja cristã, já que o cristianismo condena veementemente o homossexualismo? O que fazer diante das religiões que não descriminam a posição dessas pessoas, pelo contrário, os têm em alta conta, como, por exemplo, o candomblé e certas religiões tribais indígenas da América do Norte? O que fazer diante de movimentos religiosos gays, do modelo da Metropolitan Comunity Church, que se intitula não gay, mas não discriminatório e aceita qualquer um como membro e tem estrutura de igreja protestante? O que fazer com casos como o dos bispos anglicanos gays, que tantas celeumas têm causado no seio da Commonwealth? De pastores que abandonam suas denominações históricas e fundam movimentos de caráter “ecumênico”, voltados para gays, como Nehemias Marien, uma vez chamado de “filho do diabo” por um ministro evangélico muito conhecido? O que fazer ao depararmos com movimentos gays que nos acusam de discriminatórios e arrogantes religiosos, baseando-se na premissa de que Jesus Cristo nunca falou de homossexuais e nem nunca os condenou? E sermos amigos íntimos de homossexuais? É ético? É cristão? É compatível com o papel do religioso?Entre esses e tantos questionamentos que povoam o mundo judaico, cristão e islâmico, principalmente, por razão de essas religiões abominarem o homossexualismo e em alguns casos terem-no em conta de crime, como nas repúblicas e monarquias islâmicas fundamentalistas, chegando com isso a condenar à morte, adolescentes de dezesseis anos. Como no século XIX na civilizada e cristã Inglaterra, berço dos anglicanos, batistas, metodistas, quakers e congregacionais, onde Oscar Wilde, grande escritor e dramaturgo, foi condenado e proscrito por ser homossexual e apesar de ser um dos nomes mais famosos de sua terra, o escritor de O Retrato de Dorian Gray, não foi sepultado senão quase 100 anos depois de sua morte, na Abadia de Westminster, local de sepultamento dos grandes nomes ingleses e de seus monarcas. A mesma Inglaterra que agora consagra gays ao ministério episcopal de sua igreja estatal.Diante de tantas questões, o cristão, e o autor fala como um deles, se vê num emaranhado de opiniões que bombardeiam e pressionam as comunidades religiosas para a aceitação de gays como membros. Tal postura da sociedade é quase imperativa e coloca em xeque os mais ortodoxos e os que defendem o homossexualismo como “abominação diante de Deus”. Se formos observar a nossa atitude como conservadores observadores das Escrituras, perigamos “bater de frente” com as nossas próprias convicções. “Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus”, e já que “todos” no grego é a palavra “panta”, não se tem escapatória, todos mesmo, nenhum homem é isento de pecado. Isso dá uma oportunidade para que se argumente que os cristãos estão fazendo uma mensuração de pecados, estabelecendo valores diversos para cada um, tabelando a sua gravidade e colocando o homossexualismo como o pior dos piores pecados que um homem possa cometer. Embora o apóstolo João tenha escrito as palavras “que recebeu de Cristo” no Apocalipse e que dizem: ” Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira! ” e o grego diga “e;xw oi` ku,nej kai. oi` fa,rmakoi kai. oi` po,rnoi kai. oi` fonei/j kai. oi` eivdwlola,trai kai. pa/j filw/n kai. poiw/n yeu/doj” , e a palavra em questão, pornoi, tem o significado muito amplo e as vezes (para não dizer quase todas) é traduzida por efeminados, muito embora possa ser traduzida como adúlteros, fornicários, desbocados, indecentes, imorais. Se os “efeminados” não herdarão o reino dos céus, as lésbicas estarão livres de tal condenação e poderão entrar no céu livremente. Isto é totalmente questionável. Portanto pergunta-se ao religioso: qual a postura ética que a religião deve ter ante o crescente movimento de conquistas de direitos perpetrados pelos homossexuais e seus defensores? A essa questão, procuraremos responder em termos filosóficos e teológicos.
POSTULADO TEOLÓGICO:
Seguem-se agora, alguns textos em que a Bíblia supostamente (o autor fala como cientista da religião, não como teólogo), condena a prática do homossexualismo e também das uniões abomináveis entre os israelitas.“1. O Senhor disse a Moisés:2. “Dize aos israelitas o seguinte: eu sou o Senhor, vosso Deus.3. Não procedereis conforme os costumes do Egito onde habitastes, ou de Canaã aonde vos conduzi: não seguireis seus costumes.4. Praticareis meus preceitos e observareis minhas leis, e a elas obedecereis. Eu sou o Senhor, vosso Deus.5. Observareis meus preceitos e minhas leis: o homem que o observar viverá por eles. Eu sou o Senhor.22. Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação. 29. Todos aqueles, com efeito, que cometerem qualquer dessas abominações, serão cortados do meio de seu povo.30. Guardareis, pois, os meus mandamentos, e não seguireis nenhum dos costumes abomináveis que se praticavam antes de vós, e não vos contaminareis por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”_________________________________________________________________________“1. O Senhor disse a Moisés: “Dirás aos israelitas:2. todo israelita ou estrangeiro que habita em Israel e que sacrificar um de seus filhos a Moloc, será punido de morte. O povo da terra o apedrejará.3. Eu voltarei o meu rosto contra ele e o cortarei do meio de seu povo, porque manchou o meu santuário e profanou o meu santo nome, dando um de seus filhos a Moloc.4. Se o povo da terra não se importar por esse homem ter dado um de seus filhos a Moloc, e se não o matar,5. eu voltarei meu rosto contra ele e contra a sua família, e o cortarei do meio de seu povo com todos aqueles que se prostituem como ele, prestando culto a Moloc.6. Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos adivinhos para fornicar com eles, voltarei meu rosto contra esse homem e o cortarei do meio de seu povo.7. Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.8. Observai minhas leis e praticai-as. Eu sou o Senhor que vos santifico.9. Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa.10. Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte.11. Se um homem dormir com a mulher de seu pai, descobrindo assim a nudez de seu pai, serão ambos punidos de morte; levarão a sua culpa.12. Se um homem dormir com a sua nora, serão ambos punidos de morte; isso é uma ignomínia, e eles levarão a sua culpa.13. Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa.14. Se um homem tomar por mulheres a filha e a mãe, cometerá um crime. Serão queimados no fogo, ele e elas, para que não haja tal crime no meio de vós.15. Se um homem tiver comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.16. Se uma mulher se aproximar de um animal para se prostituir com ele, será morta juntamente com o animal. Serão mortos, e levarão a sua iniqüidade.17. Se um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e vir a sua nudez, e ela vir a sua, isso é uma coisa infame. Serão exterminados sob os olhos de seus compatriotas: descobriu a nudez de sua irmã; levará a sua iniqüidade.18. Se um homem dormir com uma mulher durante o tempo de sua menstruação e vir a sua nudez, descobrindo o seu fluxo e descobrindo-o ela mesma, serão ambos cortados do meio de seu povo.19. Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, nem da irmã de teu pai, porque descobrirás a sua carne; levarão sua iniqüidade.20. Se um homem se deitar com sua tia, ele descobrirá a nudez de seu tio; levarão a sua iniqüidade, e morrerão sem filhos.21. Se um homem tomar a mulher de seu irmão, será uma impureza; ofenderá a honra de seu irmão: não terão filhos.22. Observareis todas as minhas leis e meus mandamentos e os praticareis, a fim de que não vos vomite a terra aonde vos conduzo para aí habitar.23. Não seguireis os costumes da nação que eu expulsar de diante de vós, porque fizeram todas essas coisas e eu as abominei.24. Eu vos disse: possuireis essa terra, a qual vos darei em possessão, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos outros povos.25. Fareis a distinção entre animais puros e impuros, entre as aves puras e impuras, e não vos torneis abomináveis por causa de animais, de aves ou de animais que se arrastam sobre a terra, como vos ensinei a distinguir como impuros.26. Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo; e vos separei dos outros povos para que sejais meus.27. Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fizer adivinhações, será morto. Serão apedrejados, e levarão sua culpa”. _________________________________________________________________________“"Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos," _________________________________________________________________________“18. A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade.19. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o lêem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência.20. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.21. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato.22. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos.23. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis.24. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos.25. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!26. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza.27. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.29. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.30. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais.31. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.32. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem.” Os textos acima são referências bíblicas que os cristãos e judeus usam para apoiar a pecaminosidade do homossexual. São retirados do Antigo e do Novo Testamentos. Se formos colocar em relatividade com o pecado da incredulidade, esse ultimo ganhará em numero de passagens e referências.Diante de tanta coisa escrita nas Escrituras Sagradas do cristianismo e do judaísmo, já não cabe, para os ortodoxos e fundamentalistas, discussão sobre o assunto, que por esses textos se considera pecado e caso encerrado. O Deus Eterno, cultuado por judeus e cristãos, condena veementemente o homossexualismo e ainda tem quem os pratica como réu de morte e de excomunhão de seu reino.Quanto ao islamismo, o Al Corão se cala nessa questão. O autor leu as Escrituras Islâmicas em sua totalidade, mas elas se calam diante da questão. O homossexualismo é reprovado e tido como abominável, talvez por influência do judaísmo, do qual o autor o considera uma seita. Deve haver algum preceito extra-escritura que apóie essa posição dos muçulmanos contra os homossexuais.O candomblé e as religiões de origem africanas não consideram o homossexualismo como pecado, mesmo porque o conceito de pecado não existe em sua teologia e no seu panteão existem deuses que são homossexuais como, por exemplo, Oxumaré e alguns exus. As entidades femininas e masculinas “baixam” em seus filhos, independente de seus sexos. Grandes e famosos “babas” e “yias” (pais e mães-de-santo) têm esse comportamento. Como essas religiões são seguidas por uma parcela significativa da população da América do Sul, é importante frisar a projeção que teologicamente se dá ao papel do homossexual nesses cultos. São considerados seres iluminados, verdadeiras projeções dos orixás.Portanto, os pressupostos teológicos que nortearão a argumentação, são orientados pela visão cristã, mas permeados de observações comuns a todas as religiões que a população do Brasil professa.
QUAL A POSTURA ÉTICA QUE A IGREJA DEVE TOMAR ANTE O HOMOSSEXUALISMO ORGANIZADO COMO GRUPO SOCIAL?
Ante a pós-modernidade, vários movimentos tem se projetado no cenário social, e o movimento para o reconhecimento dos direitos dos homossexuais tem sido um dos que mais tem alcançado a atenção da mídia. Grupos organizados, como, o Atobá, o Arco Íris e o Triângulo Rosa (esse possui este nome devido à forma pejorativa que os nazistas identificavam os gays nos campos de concentração) têm ganhado espaço para disseminarem as suas idéias e reivindicações ante a sociedade e os governantes. Esses, por sua vez, têm dado atenção a essas reivindicações e formulado alguma leis e projetos que beneficiam as duplas de gays, como por exemplo, a união civil entre pessoas do mesmo sexo tende a se tornar realidade em nosso país e recentemente foi lançado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que torna a homofobia em crime e dá plenos direitos aos gays de se manifestarem amorosamente em qualquer lugar que queiram. Também dá a eles o direito de se filiarem a qualquer igreja sem que essa os rejeite e as pune se quiserem mudar sua orientação. O Conselho Federal de Psicologia determinou que nenhum profissional que estiver sob a sua fiscalização poderá se manifestar contrário ao homossexualismo e nem estigmatizá-lo como doença, perversão ou comportamento inadequado e nem ajudar a um homossexual a mudar o seu comportamento sexual. Artistas declaram serem gays. Carnavalescos e pessoas das classes alta e média-alta se declaram gays ou simpatizantes dos movimentos de apoio. Igrejas que conservam a terminologia protestante, como a Comunidade Evangélica Nova Esperança , em Vitória, aceitam gays como membros e assumem uma postura de defesa deles.Como a igreja brasileira deve reagir a esse crescente movimento? Como baseada nas Sagradas Escrituras, a Igreja não pode tomar partido de uma coisa que é explicitamente condenada. Se ela tem a Bíblia como “única regra de fé e prática” e “persevera na doutrina apostólica”, não deve coadunar com esse tipo de movimento. Por outro lado, como dizer não aos homossexuais que são cidadãos e desde que não façam algo que a lei proíbe ou que deixem de fazer o que ela manda, têm o direito sagrado de exercerem a sua cidadania, inclusive no que diz respeito às suas convicções em termos de credo político ou religioso e não poderão ser discriminados por isso. Eles são tão brasileiros como qualquer outro cidadão, pagam seus impostos, participam da economia. Em uma sociedade que tolera a Lavagem do Bom Fim como manifestação religiosa e folclórica, onde adeptos do candomblé realizam um ritual em homenagem a Oxulafam sob os olhares complacentes da Igreja Católica Apostólica Romana, inclusive participando de uma missa após a lavagem e não se importando que alguns deles sejam homossexuais (claro que não se faz essa pergunta na hora do rito) e participem da Comunhão onde o “Corpo e Sangue do Senhor” estão presentes “em toda a substância”, condenar a orientação sexual deles seria no mínimo, hipocrisia.As igrejas chamadas evangélicas são mais rigorosas e não admitem, pelo menos em sua maioria, gays em seus quadros e essas pessoas nem podem pensar em participar do ritual da Ceia do Senhor. Muito embora algumas delas tenham como membros ex-gays (ou pelo menos é assim que se apresentam) e parece haver por parte desses ex um orgulho muito grande em ostentarem o ápodo. Têm também exceções. Vejamos este caso:Condenada pelos evangélicos, a homossexualidade desperta ainda mais polêmica quando praticada por pastores.Sem o acompanhamento de instrumentos musicais, um grupo de pessoas na pequena igreja canta o tradicional hino Tu és fiel, Senhor. Alguns mantêm os olhos fechados; outros levantam as mãos. Vez por outra, um membro da congregação vai à frente dar testemunho sobre bênçãos conseguidas, relatos que são acompanhados pela platéia. Há ainda o momento de orações espontâneas, quando qualquer fiel pode erguer a voz, com total liberdade. Após uma liturgia simples, o pastor abre a Bíblia e prega. O tema de sua mensagem é a banalização da vida humana, baseada no evangelho de Mateus 6.19. Quem ouve o pregador pode pensar que trata-se de apenas mais uma entre tantas igrejas evangélicas que existem na capital paulista. Engano. Aquela comunidade, situada no bairro de Perdizes, é diferente. Trata se da Igreja Acalanto - Ministério Outras Ovelhas, uma congregação freqüentada, entre outras pessoas, por homossexuais que, ali, não sofrem qualquer repreensão por sua conduta. Há até aqueles que vão aos cultos acompanhados dos parceiros do mesmo sexo.E quem está á frente do ministério alternativo é Victor Ricardo Soto Orellana, 31 anos, que há cinco anos causou muita polêmica quando foi ordenado como o primeiro pastor homossexual do Brasil. Apesar de todas as críticas que recebe desde então, ele continua firme no propósito de divulgar a chamada teologia homossexual, que consiste numa interpretação bastante liberal das Sagradas Escrituras. "Ser um pastor homossexual é ter uma experiência ímpar, uma visão do mundo original e desapegada das tradições", filosofa Victor, que já freqüentou igrejas evangélicas antes de assumir sua opção sexual. E é desta época que guarda más lembranças. "Eu queria a todo custo ser um modelo de cristão, e por isso curvava-me às imposições. Era uma fuga." Ele conta que durante bastante tempo anulou seus sentimentos, descobertos durante a conversa com um ex-colega de seminário teológico.Mas o estopim para sua saída do armário - expressão que, no jargão gay, significa assumir a homossexualidade - foi o assédio que conta ter recebido da parte de um homem na igreja que freqüentava, cujo nome prefere não revelar. Hoje, convicto de que sua condição em nada afeta o relacionamento com Deus, Victor acredita que ninguém opta por se honro ou heterossexual. "Deus no céu se alegrou quando me decidi a assumir minha homossexualidade, pois tornei a minha vivência cristã mais fecunda e producente", comenta. O lema d Acalanto, sugestivamente, é "Tenha amor incondicional, assim como Deus teve por nós". O pastor Victor desafia: "Sou livre em Cristo. Então, permito-me o homossexualismo." Como encarar esse fato, publicado na revista Eclésia nº 86 de 23/12/2004, de autoria da jornalista Luciana Mazarelli? Como agir quando existem pastores gays e que já não escondiam a sua condição de homossexuais antes de suas ordenações? Recentemente a denominação batista brasileira se deparou com o caso do pastor Sérgio Viula. “Ex-gay”, ele trabalhou no Movimento Para a Sexualidade Sadia (MOSES) e era pastor da Igreja Batista Central do Rio de Janeiro, no bairro carioca do Catumbi. O pastor Viula, após alguns anos de ministério, assumiu publicamente que era realmente gay, que se sentira castrado em sua verdadeira sexualidade e que tinha se sentido “ótimo” em comparecer à Parada Gay. Isso foi publicado por uma revista de alcance nacional e ele ainda se deu ao trabalho de posar em frente à fachada do templo da igreja na qual era pastor e isso lhe valeu um processo na justiça, iniciado por um magistrado membro daquela grei e que alegou que a imagem do templo foi usada sem autorização da igreja. Ainda no Jesus Site encontramos a seguinte declaração de um ministro anglicano paulista:“Caso do pastor Mário Ribas, 31, da Igreja Anglicana Todos os Santos, em Santos (SP), bacharel em teologia pela Universidade de Princeton, na Inglaterra e mestre em ciências da religião, que prefere deixar a questão para o juízo de Deus: "Cabe ao Senhor escolher que tipo de pessoa deve chamar. Agora, se Deus tem vocacionado gays e lésbicas ao sacerdócio, é porque tais pessoas têm uma grande contribuição para dar para à Igreja", defende.Ribas argumenta que a análise das Escrituras, "de modo austero e inteligente", mostra que todas as pessoas, independente de raça, gênero ou orientação sexual, foram acolhidas por Jesus. "Não vejo o porquê de se dizer que gays e lésbicas estão errados na sua maneira de ser." Segundo ele, sempre existiram homossexuais no sacerdócio. "Mesmo aquelas igrejas que têm uma postura muito conservadora sobre a questão e não aceitam o homossexualismo sob nenhuma hipótese não estão isentas de terem pastores gays ou lésbicas trabalhando com eles. Afinal de contas, a Igreja pertence a Deus, e não aos caprichos e preconceitos dos seres humanos." No entanto, Ribas acha problemático que um ministro religioso assuma que é gay. "Eu questiono tal atitude, pois que vantagem poderia trazer? Afinal, vida sexual é uma questão que diz respeito à privacidade de cada pessoa." O precursor do movimento do segmento evangélico em defesa dos gays no Brasil foi o falecido Nehemias Marien, já citado nos pressupostos filosóficos. Sobre ele encontramos o seguinte no Jesus Site:Posturas como essa, por mais liberais que pareçam, encontram eco em determinados segmentos protestantes. "O problema é que a Igreja tem a genitália no cérebro", provoca o sempre polêmico pastor Nehemias Marien, 71, dirigente da Igreja Bethesda de Copacabana, no Rio. Para ele, Deus escolhe seus ministros independentemente da opção sexual. "A vocação pastoral é divina e está muito acima das discriminações", afirma. Foi Nehemias quem, em 1998, ordenou Victor, numa cerimônia realizada no Centro de Estudos Homoeróticos da Universidade de São Paulo (USP). Bastante conhecido, nos anos 70, pelo seu profundo conhecimento bíblico - ele virou figura de destaque ao responder, durante seis meses ininterruptos, a questões sobre a Palavra de Deus num programa popular de TV, a ponto de ser chamado de "o pastor da Bíblia" -, Marien, com o tempo, adotou uma posição, digamos, pouco ortodoxa no seu ministério. Ele não se nega, por exemplo, a abençoar uniões de homossexuais.Marien iniciou seu ministério na Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), há 45 anos, mas acabou defenestrado por aquela denominação em 1984, após enfrentar cinco tribunais eclesiásticos. "Hoje, a simples menção ao meu nome causa urticária na IPB", admite, sem esconder certo desdém. A partir de então, defende suas idéias, baseadas no que chama de cristianismo ecumênico, através de livros, palestras e aparições mais ou menos freqüentas na mídia. Ele parece não se incomodar com as pesadas críticas que recebe de boa parte da comunidade evangélica nacional. "Tenho sempre muita complacência com os murmuradores que me atiram pedras. Divirto-me com suas idiossincrasias e pavonices", desdenha, recorrendo ao seu rebuscado vocabulário. "O céu pertence a todos os seres humanos, sem distinção religiosa ou de sexo", finaliza.” Assim como esses, outras denominações têm apresentado defensores de uma teologia homossexual, voltado quase que exclusivamente para os gays e mesmo que essas pessoas não representem a voz denominacional, ainda assim encontram apoio de uma considerável parte dos membros de suas igrejas.Mas nem todos têm a mesma tolerância para com os gays. Julio Severo, no site do Centro Apologético Cristão de Pesquisas em seu artigo O Homossexualismo é Igual aos Outros Pecados? Chama os homossexuais de “arrogantes” e enumera vários argumentos, um tanto pesados, contra os gays, inclusive mostra uma listagem de DST’s que seriam disseminadas por seu comportamento sexual . Entre defensores e acusadores dos gays, encontra-se a Igreja. Sua missão é a de resgatar vidas e não de julgá-las e condena-las. É um organismo executivo e não judiciário e não se pode ter uma postura ética condenado e nem atacando o comportamento homossexual. O éthos da Igreja impera que ela se mantenha em posição de acolhedora e ministradora da graça de Deus e de conservadora da Tradição dos Apóstolos e não de um organismo neonazista, que condena à morte espiritual quem dela se aproxima. Não deve fechar as portas a que quer que seja. Se ela crê no Poder do Espírito Santo para a regeneração do pecado e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, porque motivo então morre de medo de gays? Se a Igreja colocar-se na defensiva contra os gays, jamais esses grupos organizados irão deixar de querer que sejam inseridos. É discriminação que alimenta a sua luta e não a tolerância. É a pretensa forma de felicidade e aceitação dos gays que norteia a sua luta. Tire a agulha da bússola e veja se apenas com os desenhos você conseguirá saber onde é o norte ou tente andar em uma noite sem estrelas e veja se você terá como se guiar. Da mesma forma é o movimento gay ante a Igreja. Se mal compararmos, será igual ao cachorro correndo atrás de pneus de bicicleta. Quando ela está andando ele late desesperadamente tentando morder o pneu, mas quando ela para, ele fica parado, inerte, sem saber que direção tomar e nem o que fazer. Quanto mais a Igreja se envolver nessas discussões, que são no fundo políticas e não religiosas estará alimentando a fogueira das vaidades e pessoas que almejam estar na mídia, se aproveitarão e se sentirão em um verdadeiro desfile de carnaval. Se crermos que o que fez com que o diabo fosse expulso do céu foi a sua vaidade, teremos a peça-chave de nossa postura ante o movimento gay: tire o motivo de sua vaidade e sua luta desaparecerá.Devemos lembrar que grande parte desses líderes de movimentos de ativismo gay no Brasil são adeptos de cultos afro-brasileiros e estão pouco ligando para as igrejas, sinagogas ou mesquitas. De forma alguma o autor quer atacar a fé alheia, mas como já disse, é nesses cultos que o conceito de pecado desaparece e se sentem à vontade para serem o que são sem necessitarem de esconderem a sua preferência sexual. Portanto, a igreja não deve se colocar em posições de defesa ante o crescimento de movimentos de emancipação homossexual, mas sim conservar a postura ética que sempre deveria ter assumido, a de agência do Reino de Deus e de anunciadora de boas-novas aos homens, seja qual for a sua condição. Defesa significa medo e a igreja deve lembrar da promessa de Jesus: “as portas do inferno não prevalecerão...”.Quanto ao cristão ser amigo íntimo de homossexuais, ele pode e deve ser. O amor do cristão está baseado no amor de Deus. Deus ama o pecador e abomina o pecado. Devemos e podemos ser amigos deles, mas sabendo que a nossa amizade e o amor por eles deve traspassar as raias do preconceito e a nossa reprovação pelo seu comportamento homoerótico deve ficar bem evidente para essas pessoas. Jesus não teria se afastado delas e com certeza as acolheria. Ele deve ter andado com alguns: “"Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam". daí perguntamos: quem eram esses pecadores? Com certeza haviam alguns homossexuais ali, posso afirmar, e Ele não se furtava a sentar-se com eles para comer e se alegrar. Aliás, Ele só andava em meio à essa gente, os pecadores, e não entre os perfeitos e puros fariseus.CONCLUSÂO.Concluí o autor o seu pensamento, afirmando a premissa que os movimentos de emancipação gay que se têm levantado ante a sociedade, nada mais são do que um modo de eles aparecerem no cenário da mídia e mostrarem que a comunidade homossexual é formadora de opinião. Que se a igreja se colocar em posição de acusadora, perderá seu foco que é salvar e resgatar vidas e tornar-se-á uma mera peça de joguete nas mãos desses grupos e da mídia, que vive de aparecer. Se a igreja se colocar em defesa ou em acusação, terá cometido um desvio de sua natureza. Igreja é local para quem quer e não é lugar para quem não quer. Deve pregar a verdade e não deve se envolver em discussões políticas como é esse caso. Deve seguir o que diz as Escrituras e aí sim, resistir. Aceitar ou não um gay como membro é problema de cada igreja, sua liderança responderá ante Deus por suas decisões. Se o Espírito Santo, que é o Guia da Igreja se posicionar contra, cumpra a Sua determinação. Para isso a Igreja tem de estar antenada e aberta humildemente à Sua voz e ligada naquilo que Ele tem a falar. Igreja não tem de se defender, Cristo é o seu Advogado e o Espírito Santo o seu esclarecedor. Igreja não condena, igreja acolhe e trata. Igreja cumpre o que Deus manda em Cristo: “ama a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo...”.
O que fazer e qual a postura ética que devemos, como religiosos, tomar diante de um homossexual que diz ser cristão e insiste em fazer parte de uma membresía de uma igreja cristã, já que o cristianismo condena veementemente o homossexualismo? O que fazer diante das religiões que não descriminam a posição dessas pessoas, pelo contrário, os têm em alta conta, como, por exemplo, o candomblé e certas religiões tribais indígenas da América do Norte? O que fazer diante de movimentos religiosos gays, do modelo da Metropolitan Comunity Church, que se intitula não gay, mas não discriminatório e aceita qualquer um como membro e tem estrutura de igreja protestante? O que fazer com casos como o dos bispos anglicanos gays, que tantas celeumas têm causado no seio da Commonwealth? De pastores que abandonam suas denominações históricas e fundam movimentos de caráter “ecumênico”, voltados para gays, como Nehemias Marien, uma vez chamado de “filho do diabo” por um ministro evangélico muito conhecido? O que fazer ao depararmos com movimentos gays que nos acusam de discriminatórios e arrogantes religiosos, baseando-se na premissa de que Jesus Cristo nunca falou de homossexuais e nem nunca os condenou? E sermos amigos íntimos de homossexuais? É ético? É cristão? É compatível com o papel do religioso?Entre esses e tantos questionamentos que povoam o mundo judaico, cristão e islâmico, principalmente, por razão de essas religiões abominarem o homossexualismo e em alguns casos terem-no em conta de crime, como nas repúblicas e monarquias islâmicas fundamentalistas, chegando com isso a condenar à morte, adolescentes de dezesseis anos. Como no século XIX na civilizada e cristã Inglaterra, berço dos anglicanos, batistas, metodistas, quakers e congregacionais, onde Oscar Wilde, grande escritor e dramaturgo, foi condenado e proscrito por ser homossexual e apesar de ser um dos nomes mais famosos de sua terra, o escritor de O Retrato de Dorian Gray, não foi sepultado senão quase 100 anos depois de sua morte, na Abadia de Westminster, local de sepultamento dos grandes nomes ingleses e de seus monarcas. A mesma Inglaterra que agora consagra gays ao ministério episcopal de sua igreja estatal.Diante de tantas questões, o cristão, e o autor fala como um deles, se vê num emaranhado de opiniões que bombardeiam e pressionam as comunidades religiosas para a aceitação de gays como membros. Tal postura da sociedade é quase imperativa e coloca em xeque os mais ortodoxos e os que defendem o homossexualismo como “abominação diante de Deus”. Se formos observar a nossa atitude como conservadores observadores das Escrituras, perigamos “bater de frente” com as nossas próprias convicções. “Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus”, e já que “todos” no grego é a palavra “panta”, não se tem escapatória, todos mesmo, nenhum homem é isento de pecado. Isso dá uma oportunidade para que se argumente que os cristãos estão fazendo uma mensuração de pecados, estabelecendo valores diversos para cada um, tabelando a sua gravidade e colocando o homossexualismo como o pior dos piores pecados que um homem possa cometer. Embora o apóstolo João tenha escrito as palavras “que recebeu de Cristo” no Apocalipse e que dizem: ” Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira! ” e o grego diga “e;xw oi` ku,nej kai. oi` fa,rmakoi kai. oi` po,rnoi kai. oi` fonei/j kai. oi` eivdwlola,trai kai. pa/j filw/n kai. poiw/n yeu/doj” , e a palavra em questão, pornoi, tem o significado muito amplo e as vezes (para não dizer quase todas) é traduzida por efeminados, muito embora possa ser traduzida como adúlteros, fornicários, desbocados, indecentes, imorais. Se os “efeminados” não herdarão o reino dos céus, as lésbicas estarão livres de tal condenação e poderão entrar no céu livremente. Isto é totalmente questionável. Portanto pergunta-se ao religioso: qual a postura ética que a religião deve ter ante o crescente movimento de conquistas de direitos perpetrados pelos homossexuais e seus defensores? A essa questão, procuraremos responder em termos filosóficos e teológicos.
POSTULADO TEOLÓGICO:
Seguem-se agora, alguns textos em que a Bíblia supostamente (o autor fala como cientista da religião, não como teólogo), condena a prática do homossexualismo e também das uniões abomináveis entre os israelitas.“1. O Senhor disse a Moisés:2. “Dize aos israelitas o seguinte: eu sou o Senhor, vosso Deus.3. Não procedereis conforme os costumes do Egito onde habitastes, ou de Canaã aonde vos conduzi: não seguireis seus costumes.4. Praticareis meus preceitos e observareis minhas leis, e a elas obedecereis. Eu sou o Senhor, vosso Deus.5. Observareis meus preceitos e minhas leis: o homem que o observar viverá por eles. Eu sou o Senhor.22. Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação. 29. Todos aqueles, com efeito, que cometerem qualquer dessas abominações, serão cortados do meio de seu povo.30. Guardareis, pois, os meus mandamentos, e não seguireis nenhum dos costumes abomináveis que se praticavam antes de vós, e não vos contaminareis por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”_________________________________________________________________________“1. O Senhor disse a Moisés: “Dirás aos israelitas:2. todo israelita ou estrangeiro que habita em Israel e que sacrificar um de seus filhos a Moloc, será punido de morte. O povo da terra o apedrejará.3. Eu voltarei o meu rosto contra ele e o cortarei do meio de seu povo, porque manchou o meu santuário e profanou o meu santo nome, dando um de seus filhos a Moloc.4. Se o povo da terra não se importar por esse homem ter dado um de seus filhos a Moloc, e se não o matar,5. eu voltarei meu rosto contra ele e contra a sua família, e o cortarei do meio de seu povo com todos aqueles que se prostituem como ele, prestando culto a Moloc.6. Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos adivinhos para fornicar com eles, voltarei meu rosto contra esse homem e o cortarei do meio de seu povo.7. Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.8. Observai minhas leis e praticai-as. Eu sou o Senhor que vos santifico.9. Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa.10. Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte.11. Se um homem dormir com a mulher de seu pai, descobrindo assim a nudez de seu pai, serão ambos punidos de morte; levarão a sua culpa.12. Se um homem dormir com a sua nora, serão ambos punidos de morte; isso é uma ignomínia, e eles levarão a sua culpa.13. Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa.14. Se um homem tomar por mulheres a filha e a mãe, cometerá um crime. Serão queimados no fogo, ele e elas, para que não haja tal crime no meio de vós.15. Se um homem tiver comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.16. Se uma mulher se aproximar de um animal para se prostituir com ele, será morta juntamente com o animal. Serão mortos, e levarão a sua iniqüidade.17. Se um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e vir a sua nudez, e ela vir a sua, isso é uma coisa infame. Serão exterminados sob os olhos de seus compatriotas: descobriu a nudez de sua irmã; levará a sua iniqüidade.18. Se um homem dormir com uma mulher durante o tempo de sua menstruação e vir a sua nudez, descobrindo o seu fluxo e descobrindo-o ela mesma, serão ambos cortados do meio de seu povo.19. Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, nem da irmã de teu pai, porque descobrirás a sua carne; levarão sua iniqüidade.20. Se um homem se deitar com sua tia, ele descobrirá a nudez de seu tio; levarão a sua iniqüidade, e morrerão sem filhos.21. Se um homem tomar a mulher de seu irmão, será uma impureza; ofenderá a honra de seu irmão: não terão filhos.22. Observareis todas as minhas leis e meus mandamentos e os praticareis, a fim de que não vos vomite a terra aonde vos conduzo para aí habitar.23. Não seguireis os costumes da nação que eu expulsar de diante de vós, porque fizeram todas essas coisas e eu as abominei.24. Eu vos disse: possuireis essa terra, a qual vos darei em possessão, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos outros povos.25. Fareis a distinção entre animais puros e impuros, entre as aves puras e impuras, e não vos torneis abomináveis por causa de animais, de aves ou de animais que se arrastam sobre a terra, como vos ensinei a distinguir como impuros.26. Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo; e vos separei dos outros povos para que sejais meus.27. Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fizer adivinhações, será morto. Serão apedrejados, e levarão sua culpa”. _________________________________________________________________________“"Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos," _________________________________________________________________________“18. A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade.19. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o lêem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência.20. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.21. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato.22. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos.23. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis.24. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos.25. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!26. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza.27. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.29. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.30. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais.31. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.32. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem.” Os textos acima são referências bíblicas que os cristãos e judeus usam para apoiar a pecaminosidade do homossexual. São retirados do Antigo e do Novo Testamentos. Se formos colocar em relatividade com o pecado da incredulidade, esse ultimo ganhará em numero de passagens e referências.Diante de tanta coisa escrita nas Escrituras Sagradas do cristianismo e do judaísmo, já não cabe, para os ortodoxos e fundamentalistas, discussão sobre o assunto, que por esses textos se considera pecado e caso encerrado. O Deus Eterno, cultuado por judeus e cristãos, condena veementemente o homossexualismo e ainda tem quem os pratica como réu de morte e de excomunhão de seu reino.Quanto ao islamismo, o Al Corão se cala nessa questão. O autor leu as Escrituras Islâmicas em sua totalidade, mas elas se calam diante da questão. O homossexualismo é reprovado e tido como abominável, talvez por influência do judaísmo, do qual o autor o considera uma seita. Deve haver algum preceito extra-escritura que apóie essa posição dos muçulmanos contra os homossexuais.O candomblé e as religiões de origem africanas não consideram o homossexualismo como pecado, mesmo porque o conceito de pecado não existe em sua teologia e no seu panteão existem deuses que são homossexuais como, por exemplo, Oxumaré e alguns exus. As entidades femininas e masculinas “baixam” em seus filhos, independente de seus sexos. Grandes e famosos “babas” e “yias” (pais e mães-de-santo) têm esse comportamento. Como essas religiões são seguidas por uma parcela significativa da população da América do Sul, é importante frisar a projeção que teologicamente se dá ao papel do homossexual nesses cultos. São considerados seres iluminados, verdadeiras projeções dos orixás.Portanto, os pressupostos teológicos que nortearão a argumentação, são orientados pela visão cristã, mas permeados de observações comuns a todas as religiões que a população do Brasil professa.
QUAL A POSTURA ÉTICA QUE A IGREJA DEVE TOMAR ANTE O HOMOSSEXUALISMO ORGANIZADO COMO GRUPO SOCIAL?
Ante a pós-modernidade, vários movimentos tem se projetado no cenário social, e o movimento para o reconhecimento dos direitos dos homossexuais tem sido um dos que mais tem alcançado a atenção da mídia. Grupos organizados, como, o Atobá, o Arco Íris e o Triângulo Rosa (esse possui este nome devido à forma pejorativa que os nazistas identificavam os gays nos campos de concentração) têm ganhado espaço para disseminarem as suas idéias e reivindicações ante a sociedade e os governantes. Esses, por sua vez, têm dado atenção a essas reivindicações e formulado alguma leis e projetos que beneficiam as duplas de gays, como por exemplo, a união civil entre pessoas do mesmo sexo tende a se tornar realidade em nosso país e recentemente foi lançado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que torna a homofobia em crime e dá plenos direitos aos gays de se manifestarem amorosamente em qualquer lugar que queiram. Também dá a eles o direito de se filiarem a qualquer igreja sem que essa os rejeite e as pune se quiserem mudar sua orientação. O Conselho Federal de Psicologia determinou que nenhum profissional que estiver sob a sua fiscalização poderá se manifestar contrário ao homossexualismo e nem estigmatizá-lo como doença, perversão ou comportamento inadequado e nem ajudar a um homossexual a mudar o seu comportamento sexual. Artistas declaram serem gays. Carnavalescos e pessoas das classes alta e média-alta se declaram gays ou simpatizantes dos movimentos de apoio. Igrejas que conservam a terminologia protestante, como a Comunidade Evangélica Nova Esperança , em Vitória, aceitam gays como membros e assumem uma postura de defesa deles.Como a igreja brasileira deve reagir a esse crescente movimento? Como baseada nas Sagradas Escrituras, a Igreja não pode tomar partido de uma coisa que é explicitamente condenada. Se ela tem a Bíblia como “única regra de fé e prática” e “persevera na doutrina apostólica”, não deve coadunar com esse tipo de movimento. Por outro lado, como dizer não aos homossexuais que são cidadãos e desde que não façam algo que a lei proíbe ou que deixem de fazer o que ela manda, têm o direito sagrado de exercerem a sua cidadania, inclusive no que diz respeito às suas convicções em termos de credo político ou religioso e não poderão ser discriminados por isso. Eles são tão brasileiros como qualquer outro cidadão, pagam seus impostos, participam da economia. Em uma sociedade que tolera a Lavagem do Bom Fim como manifestação religiosa e folclórica, onde adeptos do candomblé realizam um ritual em homenagem a Oxulafam sob os olhares complacentes da Igreja Católica Apostólica Romana, inclusive participando de uma missa após a lavagem e não se importando que alguns deles sejam homossexuais (claro que não se faz essa pergunta na hora do rito) e participem da Comunhão onde o “Corpo e Sangue do Senhor” estão presentes “em toda a substância”, condenar a orientação sexual deles seria no mínimo, hipocrisia.As igrejas chamadas evangélicas são mais rigorosas e não admitem, pelo menos em sua maioria, gays em seus quadros e essas pessoas nem podem pensar em participar do ritual da Ceia do Senhor. Muito embora algumas delas tenham como membros ex-gays (ou pelo menos é assim que se apresentam) e parece haver por parte desses ex um orgulho muito grande em ostentarem o ápodo. Têm também exceções. Vejamos este caso:Condenada pelos evangélicos, a homossexualidade desperta ainda mais polêmica quando praticada por pastores.Sem o acompanhamento de instrumentos musicais, um grupo de pessoas na pequena igreja canta o tradicional hino Tu és fiel, Senhor. Alguns mantêm os olhos fechados; outros levantam as mãos. Vez por outra, um membro da congregação vai à frente dar testemunho sobre bênçãos conseguidas, relatos que são acompanhados pela platéia. Há ainda o momento de orações espontâneas, quando qualquer fiel pode erguer a voz, com total liberdade. Após uma liturgia simples, o pastor abre a Bíblia e prega. O tema de sua mensagem é a banalização da vida humana, baseada no evangelho de Mateus 6.19. Quem ouve o pregador pode pensar que trata-se de apenas mais uma entre tantas igrejas evangélicas que existem na capital paulista. Engano. Aquela comunidade, situada no bairro de Perdizes, é diferente. Trata se da Igreja Acalanto - Ministério Outras Ovelhas, uma congregação freqüentada, entre outras pessoas, por homossexuais que, ali, não sofrem qualquer repreensão por sua conduta. Há até aqueles que vão aos cultos acompanhados dos parceiros do mesmo sexo.E quem está á frente do ministério alternativo é Victor Ricardo Soto Orellana, 31 anos, que há cinco anos causou muita polêmica quando foi ordenado como o primeiro pastor homossexual do Brasil. Apesar de todas as críticas que recebe desde então, ele continua firme no propósito de divulgar a chamada teologia homossexual, que consiste numa interpretação bastante liberal das Sagradas Escrituras. "Ser um pastor homossexual é ter uma experiência ímpar, uma visão do mundo original e desapegada das tradições", filosofa Victor, que já freqüentou igrejas evangélicas antes de assumir sua opção sexual. E é desta época que guarda más lembranças. "Eu queria a todo custo ser um modelo de cristão, e por isso curvava-me às imposições. Era uma fuga." Ele conta que durante bastante tempo anulou seus sentimentos, descobertos durante a conversa com um ex-colega de seminário teológico.Mas o estopim para sua saída do armário - expressão que, no jargão gay, significa assumir a homossexualidade - foi o assédio que conta ter recebido da parte de um homem na igreja que freqüentava, cujo nome prefere não revelar. Hoje, convicto de que sua condição em nada afeta o relacionamento com Deus, Victor acredita que ninguém opta por se honro ou heterossexual. "Deus no céu se alegrou quando me decidi a assumir minha homossexualidade, pois tornei a minha vivência cristã mais fecunda e producente", comenta. O lema d Acalanto, sugestivamente, é "Tenha amor incondicional, assim como Deus teve por nós". O pastor Victor desafia: "Sou livre em Cristo. Então, permito-me o homossexualismo." Como encarar esse fato, publicado na revista Eclésia nº 86 de 23/12/2004, de autoria da jornalista Luciana Mazarelli? Como agir quando existem pastores gays e que já não escondiam a sua condição de homossexuais antes de suas ordenações? Recentemente a denominação batista brasileira se deparou com o caso do pastor Sérgio Viula. “Ex-gay”, ele trabalhou no Movimento Para a Sexualidade Sadia (MOSES) e era pastor da Igreja Batista Central do Rio de Janeiro, no bairro carioca do Catumbi. O pastor Viula, após alguns anos de ministério, assumiu publicamente que era realmente gay, que se sentira castrado em sua verdadeira sexualidade e que tinha se sentido “ótimo” em comparecer à Parada Gay. Isso foi publicado por uma revista de alcance nacional e ele ainda se deu ao trabalho de posar em frente à fachada do templo da igreja na qual era pastor e isso lhe valeu um processo na justiça, iniciado por um magistrado membro daquela grei e que alegou que a imagem do templo foi usada sem autorização da igreja. Ainda no Jesus Site encontramos a seguinte declaração de um ministro anglicano paulista:“Caso do pastor Mário Ribas, 31, da Igreja Anglicana Todos os Santos, em Santos (SP), bacharel em teologia pela Universidade de Princeton, na Inglaterra e mestre em ciências da religião, que prefere deixar a questão para o juízo de Deus: "Cabe ao Senhor escolher que tipo de pessoa deve chamar. Agora, se Deus tem vocacionado gays e lésbicas ao sacerdócio, é porque tais pessoas têm uma grande contribuição para dar para à Igreja", defende.Ribas argumenta que a análise das Escrituras, "de modo austero e inteligente", mostra que todas as pessoas, independente de raça, gênero ou orientação sexual, foram acolhidas por Jesus. "Não vejo o porquê de se dizer que gays e lésbicas estão errados na sua maneira de ser." Segundo ele, sempre existiram homossexuais no sacerdócio. "Mesmo aquelas igrejas que têm uma postura muito conservadora sobre a questão e não aceitam o homossexualismo sob nenhuma hipótese não estão isentas de terem pastores gays ou lésbicas trabalhando com eles. Afinal de contas, a Igreja pertence a Deus, e não aos caprichos e preconceitos dos seres humanos." No entanto, Ribas acha problemático que um ministro religioso assuma que é gay. "Eu questiono tal atitude, pois que vantagem poderia trazer? Afinal, vida sexual é uma questão que diz respeito à privacidade de cada pessoa." O precursor do movimento do segmento evangélico em defesa dos gays no Brasil foi o falecido Nehemias Marien, já citado nos pressupostos filosóficos. Sobre ele encontramos o seguinte no Jesus Site:Posturas como essa, por mais liberais que pareçam, encontram eco em determinados segmentos protestantes. "O problema é que a Igreja tem a genitália no cérebro", provoca o sempre polêmico pastor Nehemias Marien, 71, dirigente da Igreja Bethesda de Copacabana, no Rio. Para ele, Deus escolhe seus ministros independentemente da opção sexual. "A vocação pastoral é divina e está muito acima das discriminações", afirma. Foi Nehemias quem, em 1998, ordenou Victor, numa cerimônia realizada no Centro de Estudos Homoeróticos da Universidade de São Paulo (USP). Bastante conhecido, nos anos 70, pelo seu profundo conhecimento bíblico - ele virou figura de destaque ao responder, durante seis meses ininterruptos, a questões sobre a Palavra de Deus num programa popular de TV, a ponto de ser chamado de "o pastor da Bíblia" -, Marien, com o tempo, adotou uma posição, digamos, pouco ortodoxa no seu ministério. Ele não se nega, por exemplo, a abençoar uniões de homossexuais.Marien iniciou seu ministério na Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), há 45 anos, mas acabou defenestrado por aquela denominação em 1984, após enfrentar cinco tribunais eclesiásticos. "Hoje, a simples menção ao meu nome causa urticária na IPB", admite, sem esconder certo desdém. A partir de então, defende suas idéias, baseadas no que chama de cristianismo ecumênico, através de livros, palestras e aparições mais ou menos freqüentas na mídia. Ele parece não se incomodar com as pesadas críticas que recebe de boa parte da comunidade evangélica nacional. "Tenho sempre muita complacência com os murmuradores que me atiram pedras. Divirto-me com suas idiossincrasias e pavonices", desdenha, recorrendo ao seu rebuscado vocabulário. "O céu pertence a todos os seres humanos, sem distinção religiosa ou de sexo", finaliza.” Assim como esses, outras denominações têm apresentado defensores de uma teologia homossexual, voltado quase que exclusivamente para os gays e mesmo que essas pessoas não representem a voz denominacional, ainda assim encontram apoio de uma considerável parte dos membros de suas igrejas.Mas nem todos têm a mesma tolerância para com os gays. Julio Severo, no site do Centro Apologético Cristão de Pesquisas em seu artigo O Homossexualismo é Igual aos Outros Pecados? Chama os homossexuais de “arrogantes” e enumera vários argumentos, um tanto pesados, contra os gays, inclusive mostra uma listagem de DST’s que seriam disseminadas por seu comportamento sexual . Entre defensores e acusadores dos gays, encontra-se a Igreja. Sua missão é a de resgatar vidas e não de julgá-las e condena-las. É um organismo executivo e não judiciário e não se pode ter uma postura ética condenado e nem atacando o comportamento homossexual. O éthos da Igreja impera que ela se mantenha em posição de acolhedora e ministradora da graça de Deus e de conservadora da Tradição dos Apóstolos e não de um organismo neonazista, que condena à morte espiritual quem dela se aproxima. Não deve fechar as portas a que quer que seja. Se ela crê no Poder do Espírito Santo para a regeneração do pecado e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, porque motivo então morre de medo de gays? Se a Igreja colocar-se na defensiva contra os gays, jamais esses grupos organizados irão deixar de querer que sejam inseridos. É discriminação que alimenta a sua luta e não a tolerância. É a pretensa forma de felicidade e aceitação dos gays que norteia a sua luta. Tire a agulha da bússola e veja se apenas com os desenhos você conseguirá saber onde é o norte ou tente andar em uma noite sem estrelas e veja se você terá como se guiar. Da mesma forma é o movimento gay ante a Igreja. Se mal compararmos, será igual ao cachorro correndo atrás de pneus de bicicleta. Quando ela está andando ele late desesperadamente tentando morder o pneu, mas quando ela para, ele fica parado, inerte, sem saber que direção tomar e nem o que fazer. Quanto mais a Igreja se envolver nessas discussões, que são no fundo políticas e não religiosas estará alimentando a fogueira das vaidades e pessoas que almejam estar na mídia, se aproveitarão e se sentirão em um verdadeiro desfile de carnaval. Se crermos que o que fez com que o diabo fosse expulso do céu foi a sua vaidade, teremos a peça-chave de nossa postura ante o movimento gay: tire o motivo de sua vaidade e sua luta desaparecerá.Devemos lembrar que grande parte desses líderes de movimentos de ativismo gay no Brasil são adeptos de cultos afro-brasileiros e estão pouco ligando para as igrejas, sinagogas ou mesquitas. De forma alguma o autor quer atacar a fé alheia, mas como já disse, é nesses cultos que o conceito de pecado desaparece e se sentem à vontade para serem o que são sem necessitarem de esconderem a sua preferência sexual. Portanto, a igreja não deve se colocar em posições de defesa ante o crescimento de movimentos de emancipação homossexual, mas sim conservar a postura ética que sempre deveria ter assumido, a de agência do Reino de Deus e de anunciadora de boas-novas aos homens, seja qual for a sua condição. Defesa significa medo e a igreja deve lembrar da promessa de Jesus: “as portas do inferno não prevalecerão...”.Quanto ao cristão ser amigo íntimo de homossexuais, ele pode e deve ser. O amor do cristão está baseado no amor de Deus. Deus ama o pecador e abomina o pecado. Devemos e podemos ser amigos deles, mas sabendo que a nossa amizade e o amor por eles deve traspassar as raias do preconceito e a nossa reprovação pelo seu comportamento homoerótico deve ficar bem evidente para essas pessoas. Jesus não teria se afastado delas e com certeza as acolheria. Ele deve ter andado com alguns: “"Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam". daí perguntamos: quem eram esses pecadores? Com certeza haviam alguns homossexuais ali, posso afirmar, e Ele não se furtava a sentar-se com eles para comer e se alegrar. Aliás, Ele só andava em meio à essa gente, os pecadores, e não entre os perfeitos e puros fariseus.CONCLUSÂO.Concluí o autor o seu pensamento, afirmando a premissa que os movimentos de emancipação gay que se têm levantado ante a sociedade, nada mais são do que um modo de eles aparecerem no cenário da mídia e mostrarem que a comunidade homossexual é formadora de opinião. Que se a igreja se colocar em posição de acusadora, perderá seu foco que é salvar e resgatar vidas e tornar-se-á uma mera peça de joguete nas mãos desses grupos e da mídia, que vive de aparecer. Se a igreja se colocar em defesa ou em acusação, terá cometido um desvio de sua natureza. Igreja é local para quem quer e não é lugar para quem não quer. Deve pregar a verdade e não deve se envolver em discussões políticas como é esse caso. Deve seguir o que diz as Escrituras e aí sim, resistir. Aceitar ou não um gay como membro é problema de cada igreja, sua liderança responderá ante Deus por suas decisões. Se o Espírito Santo, que é o Guia da Igreja se posicionar contra, cumpra a Sua determinação. Para isso a Igreja tem de estar antenada e aberta humildemente à Sua voz e ligada naquilo que Ele tem a falar. Igreja não tem de se defender, Cristo é o seu Advogado e o Espírito Santo o seu esclarecedor. Igreja não condena, igreja acolhe e trata. Igreja cumpre o que Deus manda em Cristo: “ama a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo...”.
Aètica do Protestantismo Brasileiro em Face às Novas Eclesiologias
Os novos movimentos de cisão dentro da igreja protestante brasileira são um fenômeno característico e assustadoramente freqüente do fim do século XX e início do XXI. O neo-liberalismo e o mercado de consumo que oferecem alternativas múltiplas aos clientes, se aproximaram tanto das igrejas, que neste momento o Brasil vive um verdadeiro mercado plural em se falando de igrejas que carregam o ápodo de “evangélicas”. A maioria dessas comunidades eclesiais são fruto de querelas carismáticas e visionárias, muito embora existam denominações fracionadas por questão sobre seus membros pertencerem a alguma sociedade esotérica, mas que conservam seu corpo doutrinário e eclesiologia em pontos comuns na maioria dos casos. Este é o caso da IPIB e da IPB embora sua ruptura tenha se dado em inícios do século XX . Ainda há aqueles casos em que a ruptura deu-se por causa ecumênicas como, por exemplo a IPUB. O que se vê na maioria dos casos de ruptura, salvo os que aconteceram por questões de movimentos para-pentecostais , são novas igrejas livres surgindo dentro das denominações tradicionais e mesmo das pentecostais e neo-pentecostais. Esses últimos e mais a Assembléia de Deus, têm se mostrado nos tempos hodiernos como os que mais tem sofrido em seu seio divisões e rupturas, quer seja por “novas visões”, “iluminações proféticas” ou ainda por divisões causadas pela disputa interna de poder entre herdeiros espirituais . Um sem número de comunidades estão espalhados por todos os lugares, chegando alguns como os bairros de Vaz Lobo, no Rio de Janeiro e Itaipu, em Niterói a abrigarem uma quantidade enorme de lojas e salões transformados em templos religiosos nos quais o povo, geralmente oriundo de outras igrejas, se reúne para seus ofícios religiosos. Ao analisar detalhadamente os motivos de tantas divisões denominacionais e de igrejas não-denominacionais, podemos sentir que o protestantismo brasileiro de raízes históricas tem frente a si um paradoxo que deve ser objeto de incômodo para as lideranças das denominações e para as lideranças das igrejas locais: o risco de haverem divisões em suas congregações por influência dos novos hábitos e doutrinas semeados por tais movimentos ou a assimilação silenciosa desses hábitos pela comunidade eclesiástica, perdendo-se assim a identidade denominacional. Ao falar como evangélico batista, altamente doutrinário e ortodoxo, tenho em mente uma série de fatores que penso levarem as congregações históricas e pentecostais clássicas a sucumbirem ante o fenômeno religioso do “profetismo” moderno, ou como chamo, profetismo da mídia e do marketing . Como exemplo, temos este excerto monográfico:Na década de 60, surge aquele que segundo o autor, é o maior vulto do neopentecostalismo brasileiro: Robert McAlister. Oriundo das Assembléias de Deus e do Evangelho Quadrangular, esse canadense, filho de pastor pentecostal, funda a Cruzada de Nova Vida, que seria chamada posteriormente de Igreja. Apesar de ser uma igreja neopentecostal, não existe nela o uso das práticas comuns a essa ramificação, o quê a aproxima mais das igrejas históricas do quê das pentecostais .Foi no seio dessa igreja que na década de 70, houve um desentendimento entre o bispo Robert e alguns membros, entre eles Edir Macedo e seu cunhado, Romildo Rodrigues Soares. Edir Macedo teria pedido ao bispo que esse o ordenasse ao ministério pastoral, sendo esse pedido negado pelo bispo, com a alegação de que Macedo não teria condições para exercê-lo. Insatisfeito, Edir Macedo retirou-se da Igreja de Nova Vida juntamente com outros, e teria dito a Robert McAlister, que mostraria se tinha ou não vocação para o ministério .Começou então o grupo dissidente a reunir-se na praça do Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, onde o povo acorria para ouvir Macedo e seus discursos imediatistas, que com carisma e eloqüência fazia. Como o grupo crescesse rapidamente, Macedo e seus seguidores alugaram uma loja no bairro da Abolição, também na mesma cidade, lá se reunindo e dando a seu movimento o nome de Igreja da Bênção. Até aí, Edir Macedo intitulava-se pastor, mas como o movimento se expandisse rapidamente à custa de promessas espantosas de cura e prosperidade. Ele então avocou para si o título de bispo, talvez para afrontar a organização episcopal de sua antiga igreja, e também quem sabe olhando para o futuro que visualizava para si, a cabeça da estrutura hierárquica que é hoje a IURD. Essa sereia tem cantado às portas das igreja e atraído na maioria das vezes os jovens. Esses, pelo fato de que várias vezes têm suas congregações apresentarem para eles uma proposta de vida que está apenas no “celeste porvir”, abraçando um platonismo exacerbado, que nada oferece para este mundo a não ser a dor e o sofrimento, pois para alguns crentes, “sofrer por Jesus é maravilhoso” e assim pregam um evangelho masoquista, carregado de culpa e costumes. Ante a isso se apresentam as novas tendências eclesiásticas e as novas eclesiologias. Igrejas descomprometidas com estruturas e convenções, embaladas por cantos repetitivos e declarações de vitória, que mostram para esses crentes que “podem esperar as bênçãos”, que “Deus tem um pacto com você” e que “somos reis e sacerdotes, filhos do Rei e estamos reinando em vida”, deturpando as palavras de Pedro. Surgem pastores e pastoras aos montes, autodenominados assim e que “têm uma nova unção para profetizar a vitória em suas vidas”. Se formos estudar demoradamente os novos movimentos eclesiásticos, poderemos notar que são destituídos de estudos bíblicos e se contentam em ouvir as pregações e oráculos, sempre salvíficos e nunca de juízo, de seus apóstolos e líderes, geralmente episcopais, tendo em conta de que são vontade revelada de Deus aos homens por intermédio deles e alguns chegam ao ponto de fundar comunidades no site de relacionamento Orkut com o nome de “O Apóstolo falou, é lei”. Tal eclesiologia, baseada no personalismo e no carisma se torna objeto de veneração entre os adeptos de tais movimentos, a ponto de pessoas se ufanarem de que “fulano recebeu a visão apostólica” . Uma das armas utilizadas pela nova eclesiologia comunal ou “apostólica” é a ressucitação das festas judaicas. Celebram-se festas proscritas pela graça de Cristo e usam o cerimonial judeu em seus templos, usando o candelabro, o shofar, bandeiras de Israel e objetos do culto vétero-testamentário, numa liturgia acentuadamente judaizante, contrariando frontalmente as Escrituras:16. sabemos, contudo, que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado.17. Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!18. Se torno a edificar o que destruí, confesso-me transgressor.19. Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo.20. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.21. Não menosprezo a graça de Deus; mas, em verdade, se a justiça se obtém pela lei, Cristo morreu em vão. Ante tal fenômeno, pergunto eu: o que devemos fazer para manter o evangelho de Cristo dentro de sua pureza e livre de cargas mântricas ou levíticas? Qual seria a posição ética que a igreja protestante brasileira deveria tomar ante o crescente número de comunidades religiosas que surgem em cada esquina a cada dia e que inclusive carregam nomes de igrejas históricas, principalmente comunidades ditas “batistas”, mas que dessa denominação somente têm o nome (ou apelido)? Caio Fábio fala sobre o narcisismo como ferramenta de desunião e de desagregação cultivada pelas lideranças de certos segmentos, não necessariamente desses a quem nos referimos anteriormente, mas também dentro do protestantismo histórico. Essa visão narcisista, também chamada por ele de “Síndrome de Lúcifer” tem servido de fator de desunião, onde prevalece sempre a mentalidade das lideranças e o estado democrático de direito, presente também na Igreja, é substituído pelo mando pessoal e autoritário dos “achismos” pessoais . Se as igrejas tradicionais estão trilhando esse caminho, como então haverá reação ante os apóstolos e bispos surgidos a cada dia e que ao invés de pregarem o verdadeiro evangelho, falam de uma graça barata, achada na esquina, anti-bíblica e hedonista, baseada somente na retórica de confissões? Não que penso que devamos proibi-los de falar, afinal o nosso país tem liberdade religiosa constitucional e não temos o direito de fazê-lo, mas e o poder da Palavra em nossas igrejas? Como fica?O Pacto de Lausanne afirma que o evangelicalismo tem a missão integral:6. A Igreja e a evangelização Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.Tal afirmação não deixa margem para que se pense de outro modo e não deixa que o protestantismo brasileiro se coloque à margem da situação político religiosa. Enquanto os protestantes históricos se perdem em realizações de sínodos, convenções e presbitérios, impelidos por questões mais administrativas do que realmente práticas para a disseminação da Boa Nova do Evangelho de Cristo, as comunidades seguem produzindo o outro extremo, ou seja, anunciando um evangelho descomprometido com Cristo e coberto de bênçãos materiais, e isso imediatamente, não quando Jesus voltar. As igrejas esquecem-se da missão integral. Enquanto o profetismo da mídia e do marketing cresce assustadoramente com as suas ideologias destituídas de alicerces bíblicos, as igrejas tradicionais se limitam aos domingos e quartas-feiras. Ambas confundem missão integral, uma com prosperidade e positivismo e a outra com platonismo e “salvação de almas”. O homem em sua totalidade, cidadão da terra e do céu, fica esquecido em meio a visões anti-escriturísticas, baseadas no narcisismo e exclusivismo, embaladas por lideranças egocêntricas. Culpa do tradicionalismo exacerbado ou da liberalidade descontrolada?A Igreja Protestante no Brasil tem de repensar com cuidado a sua missão. A causa de haver esquecido em grande parte dela causou essa demanda de religiosidade carregada de emocionalismo e ansiedade e a alegria que deveria haver nos cultos foi substituída pela fleuma e “reverência”, havendo mais um ambiente de medo de falar e de se mexer do quê de cantar alegremente e sorrir pela satisfação com a graça revelada por Cristo. Que se modifiquem liturgias para a maior participação do povo. Que se dê mais atenção às bênçãos que Deus pode derramar sobre a vida de seus filhos hoje do quê o “ir para o céu” amanhã. Deus é Deus de hoje, não Deus de amanhã. 11. Educação e liderança Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.Que a Igreja veja a alegria de viver e, sobretudo, a Soberania de Deus e o Senhorio de Cristo sobre ela. Que as lideranças deixem as vaidades e ajam eticamente para com suas igrejas e para consigo e a sociedade. Que não copiemos os erros e nem deixemos que eles adentrem às nossas portas, mas que criemos alternativas bíblicas para o que hoje chamamos de adoração, para uma modificação radical, para que a nossa juventude não se deixe levar por sereias, mas que tenha ouvidos somente para o verdadeiro sentido da Palavra de Deus.Gilmar de Araújo Duarte.BIBLIOGRAFÍAhttp://www.abub.org.br/1principal/1recursos/Pacto_%20Lausanne.htm, acesso em 13/12/2007http://www.boanova.rg3.net/ Bíblia Católica. Acesso em 12/12/2007FÁBIO, Caio. A Igreja Evangélica e o Brasil. Profecia, Utopia e Realidade. Niterói, Proclama: 1997GEISLER, Norman. Ética Cristã.São Paulo, Vida Nova: 2002ROCHA, Alessandro Rodrigues. Teologia Protestante Latino-Americana. Um ollhar a partir da teologia de missão integral in In Certezas nº 2, ano 2007, Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da FATERJ/IBEC.
Igreja não é jogo de basquete
Como em todo ambiente ou meio social, e a igreja não é diferente: tem seus valores e sua cultura. Vários hábitos são cultivados, transformam-se em cultura e são absorvidos senão pela totalidade, mas pela grande maioria dos seus membros e agregados. Essa cultura absorvida e por muitas vezes sacralizada, coberta de justificativas pelos seus fiéis adeptos tende a transformar a igreja em um grande estádio, onde são realizadas grandes “partidas de basquete”. Porque falamos isto? Nós nos acostumamos a estarmos como que sentados em uma grande arquibancada, alguns sentados em cadeiras especiais e camarotes, assistindo passivamente a dez pessoas suarem as camisas para colocar a bola dentro do cesto. Essas pessoas, por sua vez, acostumaram-se a jogar sozinhas e usam para justificar a sua posição, o velho adágio: “- time que está ganhando não deve ser mexido”. Ora, para que então existe igreja e Deus nos dá os dons espirituais e talentos? Será que Ele errou e nós procuramos dar o nosso jeito particular? Será que devo também me sentar na arquibancada e ficar assistindo o jogo correr e apenas torcer por quem joga?Uma questão que me vem colocar em xeque diante da cultura do jogo de basquete é a seguinte: o quê está acontecendo com a igreja para que esse jogo não termine? Existe um tempo regulamentar que deve ser cumprido pelos times e não existe a figura de se jogar duas partidas seguidamente no mesmo dia. Outro time tem de entrar. Mas, infelizmente, não se preocupam em saber se sabem jogar, se têm condições de formar outra equipe, se haverá entrosamento entre seus componentes, não treinam e não se preocupam com a dieta que todo atleta tem de se submeter para ter sucesso em sua carreira. Por causa destas coisas, que na realidade dão trabalho para serem desenvolvidas, é que o mesmo jogo continua rolando, sempre com os mesmos “astros” em quadra e sua fiel torcida a incentivá-los. O time se acostumou a ser time e a torcida se acostumou a ser torcida. Não existe troca.A igreja não foi chamada apara ficar na arquibancada. Ela foi chamada para estar na quadra, lutando por conseguir a sua pontuação. O apóstolo Paulo compara o cristão a um atleta que se lança para frente em busca de seu prêmio. Existe prêmio para quem fica na arquibancada ou nos camarotes? Não! Não existe. Só há prêmio para quem luta e se esforça, para quem treina e persegue o objetivo da vitória. Igreja é time e não torcida, deve jogar e não ficar torcendo passivamente.Nossa oração é que sejamos realmente parte do time de Deus. Esse time todo joga e quem torce por ele é o seu Dono. Ele sim, deve ser o nosso torcedor, nosso técnico e preparador físico. Se a Igreja tiver de ser um jogo de basquete, que todos saibam que durante a partida, sempre haverá uma posição para ela jogar, mas nunca haverá um lugar de torcedor na arquibancada para ela ocupar.Gilmar de Araújo Duarte
EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS” - UMA PERSPECTIVA DA RELEVÂNCIA DA IGREJA PARA OS DIAS ATUAIS.“[...] Eu conheço as tuas obras [...]”Éfeso: Ap.2.2:“Conheço tuas obras, teu trabalho e tua paciência”Esmirna: Ap. 2. 9:”Eu conheço a tua angústia e a tua pobreza - ainda que sejas rico - e também as difamações daqueles que se dizem judeus e não o são; são apenas uma sinagoga de Satanás.”Pérgamo. Ap.2.13:”Sei onde habitas: aí se acha o trono de Satanás. Mas tu te apegas firmemente ao meu nome e não renegaste a minha fé, mesmo naqueles dias em que minha fiel testemunha Antipas foi morto entre vós, onde Satanás habita.”Tiatira: Ap.2.19:”Conheço tuas obras, teu amor, tua fidelidade, tua generosidade, tua paciência e persistência; e as tuas últimas obras, que excedem as primeiras.”Sardes: Ap.3.2:”Sê vigilante e consolida o resto que ia morrer, pois não achei tuas obras perfeitas diante de meu Deus.”Filadéfia: Ap.3.8:”Conheço as tuas obras: eu pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar; porque, apesar de tua fraqueza, guardaste a minha palavra e não renegaste o meu nome.”Laódiceia. Ap.3. 15:”Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!”OS SETE ASPECTOS DA RELEVÂNCIA DA IGREJA.- Éfeso: Ap.2.2:“Conheço tuas obras, teu trabalho e tua paciência”Primeiro: trabalho e paciência. A igreja hodierna para alcançar a perfeição diante de Deus precisa ter entre seus atributos essas duas coisas. Trabalho paciente e perseverança são os meios para que alcancemos o tão almejado crescimento da Igreja local. Trabalho esse não especificado na carta, mas dá a entender que não era somente espiritual, mas entre as pessoas da cidade, tanto que Jesus faz menção dele, mostrando a diferença que existe entre obras e trabalho.- Esmirna: Ap. 2. 9:”Eu conheço a tua angústia e a tua pobreza - ainda que sejas rico - e também as difamações daqueles que se dizem judeus e não o são; são apenas uma sinagoga de Satanás.”Segundo: paz e riqueza não são sinônimas de uma igreja integrada e relevante para a sociedade e nem para si mesma. Uma igreja relevante também sofre perseguições, principalmente da parte daqueles que se intitulam melhores que os outros.Uma igreja relevante sofre e não esmorece nas angústias. Faz diferença e têm oponentes porque causa efeitos em meio a onde estão. Igrejas que não têm oponentes não causam efeito, não são relevantes.- Pérgamo. Ap.2.13:”Sei onde habitas: aí se acha o trono de Satanás. Mas tu te apegas firmemente ao meu nome e não renegaste a minha fé, mesmo naqueles dias em que minha fiel testemunha Antipas foi morto entre vós, onde Satanás habita.”Terceiro: Uma igreja relevante sabe se posicionar ante as adversidades. Ela não se rende às ameaças dos seus oponentes, mas se mantém firme e segura de seu propósito. Sabe sustentar a fé em Jesus e fazer dela o motivo de sua luta e de sua esperança, mesmo que isso custe sua vida. Ainda produz testemunhas fiéis do Evangelho de Cristo, que com suas vidas anunciam o milagre da graça de Deus para com os homens, e isso que lhe dá a coragem necessária para continuar a trabalhar para o Reino de Deus.- Tiatira: Ap.2.19:”Conheço tuas obras, teu amor, tua fidelidade, tua generosidade, tua paciência e persistência; e as tuas últimas obras, que excedem as primeiras.”Quarto: Fidelidade, generosidade, paciência, persistência e obras que excedam as que já praticamos. Muitas das vezes achamos que por fazermos muita coisa e de maneira correta, já basta. Aqui vemos que essa igreja fazia obras maiores a cada vez, não deixando as primeiras de lado. Não devemos achar que já alcançamos um padrão de perfeição, mas trabalharmos para cada dia mais melhorarmos o nosso desempenho ante a obra de Deus. Igrejas relevantes são perfeccionistas e dedicadas- Sardes: Ap.3.2:”Sê vigilante e consolida o resto que ia morrer, pois não achei tuas obras perfeitas diante de meu Deus.”Quinto: devemos prestar atenção para que nós não venhamos a cair em desânimo e deixarmos que a falta de visão domine a igreja. Devemos nos animar uns aos outros para que a obra de Deus prossiga sempre em rumo aos seus propósitos. Igrejas relevantes cuidam de seus membros e dos que a rodeiam e fazem questão de serem achadas perfeitas diante de Deus.- Filadéfia: Ap.3.8:”Conheço as tuas obras: eu pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar; porque, apesar de tua fraqueza, guardaste a minha palavra e não renegaste o meu nome.”Sexto: Deus tem colocado a frente das igrejas que fracas, uma porta aberta para que seu caminho seja facilitado. Só Ele a pode fechar. A fraqueza física não é a mesma coisa de fraqueza espiritual. A física e contornável e a espiritual causa ruína. O fato de saber que é uma agência do Reino faz da igreja fraca uma instituição forte e que nada e nem ninguém podem tirá-la de seu alvo que é a perfeição em Cristo. Igrejas relevantes buscam soluções para si e para os demais e não se acomodam na fraqueza.- Laódiceia. Ap.3. 15:”Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!”Sétimo: Igreja relevante é uma igreja constante. Não está à mercê das mudanças e dos ânimos. É fiel e mostra resultados em seu trabalho. Não é acomodada a sua situação financeira e nem intelectual ou à importância de sua localização, mas tem seus alvos e metas direcionados para a verdadeira riqueza que é o Reino de Deus. Acomodar-se em meio a privilégios não é sinal de relevância, mas o ser fiel e constante o é. Riqueza e localização privilegiada não são sinal de relevância, mas o causar diferença positiva aonde está, isto é.Conclusão.Igrejas relevantes causam impacto.Igrejas relevantes têm paciência e trabalham.Igrejas relevantes são fiéis.Igrejas relevantes não confiam em si mesmas, mas em Seu Senhor.Igrejas relevantes testemunham.Igrejas relevantes são seguras de sua condição de agência do Reino de Deus.Igrejas relevantes fazem diferença no lugar onde estão.
A Teologia do Ôba-ôba
Atualmente em nossa denominação (falo como evangélico batista), temos enfrentado um problema que ao meu ver não é somente entre os batistas que está acontecendo, trata-se da intitulada por mim: teologia do oba-ôba. Por que esse nome? Lembro-me, anos atrás, sem ser saudosista, que a Teologia era considerada a “rainha das ciências” e que seu cabedal de conhecimento era invejado e admirado pelos círculos acadêmicos. Pois bem, com o advento da pós-modernidade, com o neo-liberalismo e as correntes filosóficas que marcaram o fim do século XX e início do XXI, a Teologia passou a ser desconsiderada pelos que deveriam ser os mais preocupados com ela: os círculos eclesiásticos. Esses, parecem haver dispensado o conhecimento e as convicções adquiridos em anos de pensamentos e esforços, para rapidamente se colocarem numa posição de conformidade e apatia em relação ao pensamento teológico. Essa posição apática resultou no que vem a ser essa malfadada teologia com letra minúscula. Começa-se por se permitir chamar a nossa época de “pós-cristã”. Essa classificação demonstra muito bem o pensamento atual da sociedade em relação às coisas de Deus. A Igreja, ante tal posição, se cala e não reage. A relatividade do comportamento e das convicções dos cristãos, a busca de soluções imediatistas que transformam as igrejas em “supermercados religiosos”, que oferecem a elas o que necessitam: palavras de prosperidade e “restituição”, baseadas em um evangelho espúrio, ligth, sem maiores comprometimentos e destituídos de significado bíblico. Ainda dentro de tal consideração, vemos que o evangelho do oba-ôba tem produzido “celebridades gospel”, verdadeiros figurões que se colocam acima das outras pessoas e se consideram superstars. Cobram fábulas para se apresentarem em eventos e apresentam algo que agradará às massas, mas Deus, esse, coitado, deve ser o último da lista. São realizadas atividades para agradar aos homens e aonde Deus é somente um “espectador-de-cadeira-atrás-da-coluna-no-fundo-da-sala”. Se nós perguntarmos para os adeptos dessa corrente de pensamento quais são as suas posições teológicas em relação a Deus, Jesus Cristo e ao Espírito Santo, posso garantir que a maioria não saberá dizer nada a respeito disso. Pergunte-lhes o que é Igreja, pecado, queda do homem, depravação total do gênero humano, salvação, etc. Tenho a mais absoluta certeza que a esmagadora maioria ficara de boca aberta e nada responderá por que não sabem. Pergunte agora a eles o que é “adoração profética”, “adoração extravagante”, “unção profética”, “dança profética”, “restituição”, “altar”, “aliança” e prosperidade. Certamente responderão distorcendo palavras da Bíblia ou com chavões. Os seus profetas e líderes não se preocupam em aprofundar-se em estudos das Escrituras porque “Deus dá entendimento e sabedoria”, “dá unção profética” e coisas desse tipo, como desculpas para não serem atacados pela própria Palavra que alegam anunciar. Se pedir a Jesus que me “dê de volta o que é meu”, temo receber todo o meu pecado de volta, a cruz, chibatadas, coroa de espinhos e outras coisas horríveis que, decerto, me pertenciam, e não a Ele.Ainda dentro deste assunto, a teologia do oba-ôba não tem perspectiva histórica ou escatológica. O seu alvo é o presente, o hedonismo é seu instrumento e a retórica a sua arma. Nada do que oferece é plausível. E os evangélicos históricos ainda se permitem participar dessa teologia humanista e rasa ao cantarem os cânticos sem perceber o sentido de sua mensagem ou usarem os mesmos chavões e quererem introduzir em suas igreja os mesmos costumes sob os olhares complacentes de suas lideranças. Quero afirmar e manifestar o meu repúdio a essa corrente “teológica” e reafirmar o meu compromisso com a Revelação Verdadeira contida nas Escrituras Sagradas e exigida por Deus para a Sua Igreja. A graça de Deus não é barata e se resume a mãos levantadas, pula-pula, paletós, sopros, “trenzinhos” e coisas desse tipo. Sejamos sérios e ortodoxamente bíblicos. Se ser bíblico é ser fechado e conservador, eu continuo assim, apesar de ser relativamente jovem, mas para o meu Deus, quero oferecer o melhor, tanto da minha vida como do meu racional. Deus nos abençoe e nos faça refletir na seriedade de sua revelação.Gilmar de Araújo Duarte, Educador, Pós-Graduado em Ciências da Religião, Licenciando em Pedagogia.
5 de Julho de 2007 06:25
5 de Julho de 2007 06:25
sábado, 17 de março de 2007
Arauto da Ortodoxia.
Este é o local em que o cristão comprometido com a ortodoxia bíblica e com a verdadeira Filosofia Cristã poderá deixar as suas impressôes e artigos. Textos espúrios e ofensivos serão deletados. O não cristãos que quiserem postar, poderão fazê-lo, mas respeitando o direito de as pessoas crerem da forma que quiserem, tendo como parâmetro, as liberdades individuais e de consciência.
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