Dedicado à defesa da fé protestante bíblica e autêntica e aos princípios da Reforma, respeitando a tradição litúrgica peculiar a cada comunidade dentro de sua realidade.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Igreja não é jogo de basquete
Como em todo ambiente ou meio social, e a igreja não é diferente: tem seus valores e sua cultura. Vários hábitos são cultivados, transformam-se em cultura e são absorvidos senão pela totalidade, mas pela grande maioria dos seus membros e agregados. Essa cultura absorvida e por muitas vezes sacralizada, coberta de justificativas pelos seus fiéis adeptos tende a transformar a igreja em um grande estádio, onde são realizadas grandes “partidas de basquete”. Porque falamos isto? Nós nos acostumamos a estarmos como que sentados em uma grande arquibancada, alguns sentados em cadeiras especiais e camarotes, assistindo passivamente a dez pessoas suarem as camisas para colocar a bola dentro do cesto. Essas pessoas, por sua vez, acostumaram-se a jogar sozinhas e usam para justificar a sua posição, o velho adágio: “- time que está ganhando não deve ser mexido”. Ora, para que então existe igreja e Deus nos dá os dons espirituais e talentos? Será que Ele errou e nós procuramos dar o nosso jeito particular? Será que devo também me sentar na arquibancada e ficar assistindo o jogo correr e apenas torcer por quem joga?Uma questão que me vem colocar em xeque diante da cultura do jogo de basquete é a seguinte: o quê está acontecendo com a igreja para que esse jogo não termine? Existe um tempo regulamentar que deve ser cumprido pelos times e não existe a figura de se jogar duas partidas seguidamente no mesmo dia. Outro time tem de entrar. Mas, infelizmente, não se preocupam em saber se sabem jogar, se têm condições de formar outra equipe, se haverá entrosamento entre seus componentes, não treinam e não se preocupam com a dieta que todo atleta tem de se submeter para ter sucesso em sua carreira. Por causa destas coisas, que na realidade dão trabalho para serem desenvolvidas, é que o mesmo jogo continua rolando, sempre com os mesmos “astros” em quadra e sua fiel torcida a incentivá-los. O time se acostumou a ser time e a torcida se acostumou a ser torcida. Não existe troca.A igreja não foi chamada apara ficar na arquibancada. Ela foi chamada para estar na quadra, lutando por conseguir a sua pontuação. O apóstolo Paulo compara o cristão a um atleta que se lança para frente em busca de seu prêmio. Existe prêmio para quem fica na arquibancada ou nos camarotes? Não! Não existe. Só há prêmio para quem luta e se esforça, para quem treina e persegue o objetivo da vitória. Igreja é time e não torcida, deve jogar e não ficar torcendo passivamente.Nossa oração é que sejamos realmente parte do time de Deus. Esse time todo joga e quem torce por ele é o seu Dono. Ele sim, deve ser o nosso torcedor, nosso técnico e preparador físico. Se a Igreja tiver de ser um jogo de basquete, que todos saibam que durante a partida, sempre haverá uma posição para ela jogar, mas nunca haverá um lugar de torcedor na arquibancada para ela ocupar.Gilmar de Araújo Duarte
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