quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A Teologia do Ôba-ôba

Atualmente em nossa denominação (falo como evangélico batista), temos enfrentado um problema que ao meu ver não é somente entre os batistas que está acontecendo, trata-se da intitulada por mim: teologia do oba-ôba. Por que esse nome? Lembro-me, anos atrás, sem ser saudosista, que a Teologia era considerada a “rainha das ciências” e que seu cabedal de conhecimento era invejado e admirado pelos círculos acadêmicos. Pois bem, com o advento da pós-modernidade, com o neo-liberalismo e as correntes filosóficas que marcaram o fim do século XX e início do XXI, a Teologia passou a ser desconsiderada pelos que deveriam ser os mais preocupados com ela: os círculos eclesiásticos. Esses, parecem haver dispensado o conhecimento e as convicções adquiridos em anos de pensamentos e esforços, para rapidamente se colocarem numa posição de conformidade e apatia em relação ao pensamento teológico. Essa posição apática resultou no que vem a ser essa malfadada teologia com letra minúscula. Começa-se por se permitir chamar a nossa época de “pós-cristã”. Essa classificação demonstra muito bem o pensamento atual da sociedade em relação às coisas de Deus. A Igreja, ante tal posição, se cala e não reage. A relatividade do comportamento e das convicções dos cristãos, a busca de soluções imediatistas que transformam as igrejas em “supermercados religiosos”, que oferecem a elas o que necessitam: palavras de prosperidade e “restituição”, baseadas em um evangelho espúrio, ligth, sem maiores comprometimentos e destituídos de significado bíblico. Ainda dentro de tal consideração, vemos que o evangelho do oba-ôba tem produzido “celebridades gospel”, verdadeiros figurões que se colocam acima das outras pessoas e se consideram superstars. Cobram fábulas para se apresentarem em eventos e apresentam algo que agradará às massas, mas Deus, esse, coitado, deve ser o último da lista. São realizadas atividades para agradar aos homens e aonde Deus é somente um “espectador-de-cadeira-atrás-da-coluna-no-fundo-da-sala”. Se nós perguntarmos para os adeptos dessa corrente de pensamento quais são as suas posições teológicas em relação a Deus, Jesus Cristo e ao Espírito Santo, posso garantir que a maioria não saberá dizer nada a respeito disso. Pergunte-lhes o que é Igreja, pecado, queda do homem, depravação total do gênero humano, salvação, etc. Tenho a mais absoluta certeza que a esmagadora maioria ficara de boca aberta e nada responderá por que não sabem. Pergunte agora a eles o que é “adoração profética”, “adoração extravagante”, “unção profética”, “dança profética”, “restituição”, “altar”, “aliança” e prosperidade. Certamente responderão distorcendo palavras da Bíblia ou com chavões. Os seus profetas e líderes não se preocupam em aprofundar-se em estudos das Escrituras porque “Deus dá entendimento e sabedoria”, “dá unção profética” e coisas desse tipo, como desculpas para não serem atacados pela própria Palavra que alegam anunciar. Se pedir a Jesus que me “dê de volta o que é meu”, temo receber todo o meu pecado de volta, a cruz, chibatadas, coroa de espinhos e outras coisas horríveis que, decerto, me pertenciam, e não a Ele.Ainda dentro deste assunto, a teologia do oba-ôba não tem perspectiva histórica ou escatológica. O seu alvo é o presente, o hedonismo é seu instrumento e a retórica a sua arma. Nada do que oferece é plausível. E os evangélicos históricos ainda se permitem participar dessa teologia humanista e rasa ao cantarem os cânticos sem perceber o sentido de sua mensagem ou usarem os mesmos chavões e quererem introduzir em suas igreja os mesmos costumes sob os olhares complacentes de suas lideranças. Quero afirmar e manifestar o meu repúdio a essa corrente “teológica” e reafirmar o meu compromisso com a Revelação Verdadeira contida nas Escrituras Sagradas e exigida por Deus para a Sua Igreja. A graça de Deus não é barata e se resume a mãos levantadas, pula-pula, paletós, sopros, “trenzinhos” e coisas desse tipo. Sejamos sérios e ortodoxamente bíblicos. Se ser bíblico é ser fechado e conservador, eu continuo assim, apesar de ser relativamente jovem, mas para o meu Deus, quero oferecer o melhor, tanto da minha vida como do meu racional. Deus nos abençoe e nos faça refletir na seriedade de sua revelação.Gilmar de Araújo Duarte, Educador, Pós-Graduado em Ciências da Religião, Licenciando em Pedagogia.
5 de Julho de 2007 06:25

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